O Poeta e a Torre

Olá pessoal! Hoje estou postando mais um conto. Desta vez esse tem a ver com as Crônicas de Erys. Na verdade, neste conto, que é apenas um excerto de um conto maior, aparece pela primeria vez a lendária e quase mística Torre de Vigia de Aymon, um dos elementos mais misteriosos da história. Ela já foi mencionada por Edrik no Capítulo III, mas, pelo menos nesse primeiro livro da saga, ela não vai aparecer.

O que chama a atenção da Torre não é exatamente o fato de ela ter mais de mil metros de altura – ok, isso é impressionate, mas nem tanto – mas sim o fato de ela ter mais de sete mil anos e não demonstrar nenhum sinal de que está se deteriorando. Ela é supostamente protegida por uma antiga e poderosa magia – uma magia que fora esquecida nos tempos atuais. Sua construção remota à longíqua e poética Era dos Heróis, da qual a lembrança não passa de uma visão turvada por uma espessa neblida.

Muitos tentara se aventurar dentro dela, na esperança de conquistaem tesouros, glória ou ambos. Poucos voltaram, e os que voltaram n voltaram os mesmos – suas mentes estavam totalmente destruídas.

E assim inicia-se a jornada de um guerreiro desconhecido, que se autodenominava ‘O Poeta’, nas entranhas sombrias da Torre. Gerações depois ele seria lembrado como o primeiro humano que se tem notícias que entrou na Torre e saiu vivo e são. Ou será que não? Isso tudo aconteceu qunizentos anos antes da história do livro.

Bem, é isso, espero que gostem e comentem.


Excerto de ‘O Poeta e a Torre’

O Poeta observava a grande e misteriosa Torre com curiosidade ávida.

– A Torre de Vigia de Aymon – sussurrou suavemente, quase como uma centelha de pensamento.

O Sol erguia-se lenta e majestosamente no Leste – a Alvorada estava próxima. À sua direita, bem ao longe, erguiam-se as Montanhas de Aymon. Mais ainda ao longe, o Poeta sabia, haveriam as Montanhas Negras, a fronteira natural que separa o reino dos homens do reino do Elfos. Fronteira essa que um dia fora transposta pelo Rei Élfico e o resultado fora a quase destruição da sociedade humana. O pelo menos parte dela: a civilização da Torre.

À sua esquerda, ao sul, jaziam as ruínas de Aymon, que outrora fora a mais esplêndida e majestosa cidade de toda Erys, a grande cidade de onde os Reis do Ébano governavam toda a extensão do vale. Mas sua glória e riqueza estavam agora enterrados em suas ruínas e antigo orgulho estava morto. Ou quase completamente. A Torre ainda permanecia em pé, altiva, imponente, o último resquício de uma civilização orgulhosa e soberana. O símbolo derradeiro da própria humanidade, a lembrança de uma época há muito perdida nas brumas do tempo e na cegueira da memória coletiva. Restara apenas ela e, se as histórias forem dignas de confiança, permaneceria lá até o fim dos tempos.

Sim, restara apenas ela, a Grande Torre de Vigia de Aymon, tão antiga quanto a própria humanidade. Jamais tombara, e jamais tombaria. Ela protegida por uma antiga magia, uma magia mais antiga que a própria humanidade. Mais poderosa que qualquer homem ou grupo de homens. Sobrevivera ao ataque dos exércitos do Rei Élfico. Sobrevivera às intempéries naturais por sete milênios. Quantas civilizações, ó Sagrada Torre, viras ruir? Era um bom primeiro verso para um poema. Quantas civilizações caíram, enquanto tu permanecias em pé, altiva e divina? Estava bem inspirado. Quantos Reis perderam seu trono, enquanto tu te elevavas, cada vez mais alta?

A Torre o fascinava. A Torre o instigava. A Torre o inspirava. A Torre o chamava…

Partiu, com passos apressados, mas o coração calmo como uma brisa no fim de tarde. A Torre o esperava.

I

Já era a primeira hora da manhã quando alcançou o sopé da Torre. Parou, uns vinte metros dela. Olhou para cima, tentando vislumbrar seu topo. Era impossível. A Torre de Vigia de Aymon erguia-se a mais de mil metros de altura. Daquele ângulo era impossível visualizar o topo. Seria uma subida longa e cansativa. Nem mesmo sabia se sairia vivo dela. As lendas diziam que a maioria do que já se aventuraram dentro dela jamais retornaram. Estavam presumivelmente mortos, embora sempre haja a possibilidade de não terem retornado porque resolveram ficar dentro dela. Talvez tivesse encontrado o que procuravam…

Os que retornaram, voltaram sem sua sanidade, sem alma, ou as duas coisas.

Por isso não era mais permitido que pessoas comuns adentrassem a Torre. A Irmandade da Luz designara um de seus Guardiões para ser o vigia daquela torre sem sentinelas. Era conhecido como o Sentinela da Torre, e geralmente era um ser solitário que morava em uma pequena habitação à sombra da misteriosa Torre. Agora somente membros da Irmandade da Luz eram permitidos entrar na grandiosa construção. E mesmo assim, não era qualquer membro…

O Poeta não era um guardião e mesmo que fosse, era quase certo que sua entrada fosse negada. Aventurar-se dentro da Torre era algo perigoso, mas até onde sabia tudo ser humano tinha o direito de correr os próprios riscos. Mesmo assim, a Irmandade não permitia mais a entrada de estranhos. Somente altos oficiais têm esse direito e mesmo estes, supostamente os mais habilidosos guerreiros de toda Erys, não se aventuravam.

– Não importa – dizia o Poeta a si mesmo – Muitos são aqueles que podem voar, mas poucos são aqueles que desejam alçar voo.

Ele desejava. Poderia não ser um guardião ungido, mas não quer dizer que não soubesse alguns truques. Os membros da Irmandade às vezes subestimam demais as pessoas. Até onde sabia, apenas um guardião guardava a Torre, embora estivesse preparado para uma armadilha. Aproximou-se mais e de repente um homem saiu da entrada sul da Torre. Era alto, esguio, cabelos aloirados e olhos de avelã. Sua pela era alva. Um descendente do clã do Anjo, certamente. Trajava roupas de couro e botas de cano alto. Um belo par de adagas pendia em sua bainha, prontas a qualquer eventualidade. O Poeta, por outro lado, contava apenas com sua pena e seu livro de escrever. E sua determinação.

– Alto lá, forasteiro! – disse o guardião com reservada educação na voz; violência era a última opção deles, sempre – O que deseja?

O Poeta parou, a cinco metros do Sentinela. Estudou-o por um tempo.

– Desejo entrar na Torre.

– Impossível. Somente guardiões autorizados podem entrar na Torre de Vigia. É perigoso.

– Sei que é. Entendo os riscos. Mesmo assim, desejo entrar.

– Não trata-se de entender ou não os riscos – falava ele compassadamente – Trata-se de autorização. Precisa de uma para entrar.

Sabia que não seria fácil. Seja lá o que houvesse dentro da Torre deveria ser importante por dois motivos. Primeiro, ela certamente deveria estar repleta de armadilhas, por isso poucos voltam vivos. Talvez armadilhas mágicas, visto que os que voltam, volta loucos. Segundo: a Irmandade tem interesse nela e isso já é motivo suficiente para qualquer pessoa que conheça a Irmandade desconfiar de que há segredos importantes envolvidos. Segredos milenares, talvez.

– Entrarei na Torre, independente disso – respondeu.

– Neste caso terei que impedi-lo. Estou avisando.

– Bem, neste caso, terei que impedi-lo de me impedir. – disse num suspiro.

Então elevou seu ny, sua força vital, bruscamente. O guardião prontamente percebeu que estava diante de um manipulador de ny e também elevou sua áurea.

– Vou logo avisando – dizia o Sentinela – não será fácil me derrotar. – sacou suas adagas e fez uma pequena exibição de habilidade com as lâminas. Pôs-se em posição de ataque.

O Poeta suspirou. Manipulou seu ny de invocou sua skiv:

Livro das Magias – e seu livro começou a flutuar a sua frente. Abriu-se sozinho, como se uma mão invisível o folheasse. Sua áurea fluía do seu corpo para o livro.

– Mas o quê? – o guardião estava um tanto espantado. Certamente jamais vira uma skiv como aquela.

O Poeta sorriu. Recitou o resto da invocação.

Poesia dos Demônios: Prisão Espiritual.

Somente então o guardião pareceu perceber que a pena do poeta flutuava lentamente acima de sua cabeça. E seu ny parecia estar sendo sugado pela pena!

– O quê! O que está acontecendo?

O Poeta não falava nada. Apenas recitava sua poesia, silenciosamente. A aura da sentinela foi capturada pela pena e quando tudo acabou a pena voou de volta para o livro, que se fechou sobre ela, trancando o poder dele. O guerreiro tentou sentir seu poder fluindo por seu corpo, mas não conseguiu. O Poeta aprisionara seu poder naquele livro!

– Como fez isso?!

– Não interessa. Agora você vai dormir.

– O quê?!

Mas não obteve resposta. Começou a sentir uma terrível sensação de desvanecimento. O mundo girou a sua volta, seus pensamentos se apagaram e ele caiu inconsciente.

O Poeta passou calmamente pela sentinela. Ele dormiria por pelo menos uns três dias. Era tempo suficiente. Mesmo assim não quis deixa-lo exposto ali, onde poderia ser facilmente atacado e morto. Carregou com dificuldade o corpo adormecido dele até dentro da Torre. Fechou a grande porta de madeira – que apesar de ter mais de sete mil anos, jamais apodrecera.

– Quando tudo terminar, terá sua aura de volta – disse para a guerreiro que certamente não o ouvira de seu sono profundo.

O Poeta olhou em volta. Estava todo uma escuridão quase total. Iluminou parcialmente a local utilizando o seu próprio ny, que emitia uma fraca luz, a luz primordial, a luz criadora, a centelha de vida que há dentro de cada um de nós. Pegou um archote na parede ao lado e acendeu. Agora a iluminação estava melhor, embora não perfeita. Serviria assim mesmo.

A Torre de Vigia de Aymon era dividida em sete estágios, cada um deles com diversos andares. O primeiro estágio não lhe interessava em nada. Se as lendas estiverem corretas, há catacumbas onde foram enterrados os antigos Reis do Ébano, salas repletas de tesouros e joias inigualáveis, uma adega com os vinhos mais envelhecidos de toda Erys, calabouços escuros e outras coisas desse tipo. A maioria dos que se aventuraram dentro da Torre veio a procura dos tesouros do primeiro estágio. Mas o Poeta não procurava tesouros materiais. Ele procurava tesouros espirituais.

Seguiu em direção a um lance de escadas, a escadaria que levaria diretamente para o segundo estágio. Subiu, imaginando o que encontraria pela frente.

por Renan Santos

roland-e-a-torre

ok, aqui não é o Poeta e a Torre de Vigia e sim o Pistoleiro e a Torre Negra, mas tudo bem rsrs

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Um comentário sobre “O Poeta e a Torre

  1. Pingback: Poema: À Torre, Eterna | As Crônicas de Erys

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