Conto: A garotinha e o Flautista

Olá pessoal! Que a Luz guie o nosso caminho.

Hoje vou postar mais outro dos meus contos. Este agora tem a ver com as Crônicas de Erys. “A garotinha e o Flautista” é um conto popular nos clãs da Torre e do Anjo. Ninguém sabe quem é o autor, embora muitos desconfiem que seja o Poeta (o mesmo do poema “À Torre, Eterna”). O conto já apareceu em diversos cancioneiros e também é passado de geração em geração. Dele surgiu o famoso ditado “Todos os caminhos levam ao mesmo Destino”, muito popular no clã da Torre. A frase foi proferida pelo Flautista da história.

Espero que gostem. Até mais!


A garotinha e o Flautista

Era uma vez, numa manhã ensolarada, uma garotinha que saiu para passear pelos jardins no final da estrada. Ela estava procurando pela sua borboleta perdida, que costumava brilhar nas noites mais frias e escuras. A garotinha andava pelos jardins, tão distraída com seus pensamentos de verão que ela não percebeu que os jardins da manhã não estavam mais lá. De repente, ela estava cercada por trevas, como um vento frio de inverno. Ela estava no meio da Floresta Escura.

A garotinha parou. Olhou em volta, procurando pela Luz acalentadora. Mas a Luz não estava lá. Havia apenas a floresta. Apenas a escuridão. Apenas seus medos. Apenas ela e seus piores pesadelos, as memórias que ela gostaria de esquecer e jogar no mais profundo oceano.

Ela decidiu voltar pelo mesmo caminho, mas acabou se perdendo. O caminho não estava mais lá. O caminho que a levaria de volta para a reluzente terra que costumava lembrar. Uma doce e acalentadora memória. A garotinha deitou-se sob uma árvore e fechou os olhos, desejando ter um sonho sereno. Desejando a Alvorada Prometida. Mas a Alvorada não veio. Quando ela abriu seus olhos na hora mais gélida, não conseguiu ver a luz. Em vez disso, as sombras estavam dançando ao seu redor.

Neste momento, seu sangue congelou. Seu coração parou e seus pensamentos eram como névoa difusa. Ela tentou gritar, mas o medo engasgou em sua garganta. As sombras continuavam dançando, uma estranha e horripilante dança. As sombras a assustavam e ela sentiu-se insignificante perante seus medos. Ela se trancou em sua própria prisão mental e tentou escapar da terrível realidade que estava vivendo. Ela disse a si mesma que aquilo não era real, apenas um sonho, um terrível sonho e que quando abrisse seus belos olhos novamente, a escuridão teria desvanecido e a Luz brilharia novamente. Quando tornou a abrir seus olhos, as assustadoras sombras ainda estavam lá. E estavam se aproximando dela.

A garotinha então correu de seus medos sombrios. Correu o mais rápido que pode, mas escuras formas a perseguiam, como um caçador persegue uma presa. Havia muitas delas. Estavam em toda parte. Ela podia sentir sua gélida presença. As sombras sussurravam velhas histórias e contos, que ela preferiria não ter ouvido. Queria esquecer. Queria fechar os olhos e fazê-los desaparecer. Mas era impossível. Estavam lá, em toda parte, a todo momento, sussurrando palavras frias e sem vida, relembrando-a suas memórias perdidas. Eram frias e sombrias. Tinham muitas formas e tamanhos. Algumas tinham asas de demônio, garras de bestas ou olhos sem vida. Outros eram seus medos de criança. Todos os seus medos e terrores estavam personificados naquelas sombras. Agora ela se via cercada. O terror crescia e a consumia de dentro para fora. A garota caiu no chão. Eles podiam sentir seu medo. E ela podia sentir a morte. Uma escura e gélida morte. Ela fechou seus olhos pela derradeira vez e chorou silenciosamente, desejando a Alvorada Prometida.

E a Alvorada veio. No começo, era como um suave sussurro, um canto de pássaro, quase inaudível. Mas crescia aos poucos, crescia e brilhava e de repente toda a floresta por uma doce e harmoniosa melodia, como o verão mais brilhante. A música encheu a garota com uma esperança acalentadora e uma trêmula Luz começou a brilhar dentro de seu coração. O mundo não era mais escuridão. A Luz da Alvorada flutuava pelo ar, enquanto a música trazia o brilho da manhã de volta. Ela sentiu paz. A garota abriu seus olhos e viu as sombras dançando insanamente, como se a alvorada foi veneno para elas. Elas gritavam e clamavam por sua gélida escuridão. Mas as formas foram se dissolvendo, como uma cerração quando é atravessada pela luz.

No final, ouvia-se apenas a música flutuante. A Alvorada encheu a floresta com uma nova vibração. E então o Flautista veio pela estrada reluzente. Era alto e loiro. Sua pele era como a neve, seus olhos eram como jade e uma aura divina envolvia-o completamente. Sua flauta era feita de um cristal azul e cintilava vivamente quando a luz do dia tocava-a.

– Você está bem, filha? – perguntou amavelmente. Sua voz era como a sinfonia da natureza.

– Sim – respondeu – Salvou minha vida, milorde. Muito obrigada.

– Não – disse o Flautista calmamente – Você salvou a si mesma. Eu apenas lhe mostrei o caminho.

Ela pareceu confusa.

– O caminho para onde, milorde?

– Para a Verdade! – ele respondeu sabiamente. Sua voz era como o vento – Para a Razão! Para a realidade.

A garota pareceu não compreender completamente.

– Essas… Isso que aconteceu comigo… não era real? Apenas minha imaginação.

– O que você acha? – agora a resposta era um enigma – A diferença entre realidade e imaginação é apenas uma questão de percepção. O que é real? O que é a realidade? A realidade é a mais perfeita de todas as ilusões. É aquela na qual escolhemos acreditar. Eu fiz você acreditar na Alvorada.

A garotinha ainda estava refletindo sobre suas palavras quando ele disse:

– Preciso ir agora, filha. Há outras pessoas acreditando na realidade errada. Ela precisam ouvir a minha música. Adeus, e que a Luz lhe mostre o caminho.

– Espere! Como eu volto para casa? Eu perdi meu caminho.

– Agora você o achou – disse apontando para a estrada de onde ele mesmo veio.

– Este não é o caminho de onde eu vim – retrucou a garotinha.

– Não se preocupe. Todos os caminhos levam ao mesmo destino. Apenas siga a luz.

O flautista seguiu seu caminho, tocando sua flauta. Ele desapareceu completamente, enquanto sua melodia pairava sobre a floresta. A garotinha nunca mais o viu novamente, mas o agradeceu sinceramente pela sua música. Ela também seguiu seu caminho.

Uma borboleta de luz a seguiu o tempo inteiro, mas ela não percebeu.

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Eu procurei uma imagem de um flaustista, mas incrivelmente só tinha imagens femininas.

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