Capítulo VIII: A Dança dos Ventos Soprados

Olá pessoal! Que a Luz ilumine nossa jornada.

Como de praxe, hoje é domingo, missa e praia, céu de anil. Tem capítulo novo no blog, e dança no Festival de Yzys.

Enfim, este é o último capítulo da primeira parte da história (O Segredo da Ninfa). Até agora só teve sombra e água fresca, e um pouco de mistérios também. Este capítulo é um prólogo digno para a próxima parte (A Fúria dos Dragões). Espero que gostem.

Espero que gostem, e não percam a próxima parte. Garanto que será eletrizante. Até lá!

P.S.: Vejamos se prestaram realmente atenção na história: qual o segredo da Ninfa? Alguma teoria? Sugestão? Quem responder corretamente vai levar um prêmio: um “meus parabéns, você é perspicaz ^^”


Capítulo VIII: A Dança dos Ventos Soprados

A segunda noite dos festejos foi totalmente dedicada ao concurso de poesias cantadas. Doze participantes vieram de todas as partes do continente para agraciar a deusa Ninfa com seus versos. Uma boa quantia em dinheiro estava reservada ao vencedor, que acabou sendo um belo cantor local que apresentou um lai em homenagem à sua amada, supostamente alguma donzela presente.

Na terceira noite dos festejos começavam as apresentações livres e era isso que Rythy mais esperava. A princesa Meiryn e quatro de suas damas iriam apresentar algum tipo de dança folclórica de suas terras. Não poderia ter sido mais magnífico.

As cinco dançarinas estavam vestidas com curiosos vestidos soltos e ricamente coloridos, cheios de detalhes florais. Desciam até os pés, que estariam descalços não fossem as meias, e as mangas eram grandes e largas. O do Meiryn era em tons azulado, e os das aias eram amarelos, mas todas seguravam longos véus nas duas mãos. Meiryn penteou os cabelos em cinco lindas tranças que se entrançavam umas nas outras. Arranjou três delas numa espécie do coque, preso por um enfeite com flores. As outras duas, maiores, desciam por suas costas e tinham pequenas sinetas presas nas pontas, que tintilavam a cada passo. As outras quatro bailarinas usavam penteados similares, mas o de Meiryn era o mais exuberante. Os músicos que vieram com a comitiva tocavam estranhos instrumentos de percussão e flautas-doces e um outro tipo de instrumento de sopro que parecia várias flautas de tamanhas diferentes amarados umas nas outras. “Uma flauta de Pan” explicara seu pai.

Lorde Mikkah convidou Rythy e Ian para sentarem ao seu lado, durante a apresentação.

A música começou e logo então as cinco bailarinas entraram. Elas dançavam e giravam e rodopiavam seus vestidos de uma maneira incrivelmente graciosa, enquanto faziam seus véus flutuarem e bailarem no ar, com rápidos movimentos braçais. As bailarinas em si pareciam pairar sobre alguma camada invisível de ar sob seus pés, pois estes raramente tocavam o chão durante sua poética dança. Era a mais bela expressão de movimento e interação harmônica de corpo e alma que Rythy jamais vira.

– Chamamos de ‘Dança dos Ventos Soprados’ – diziam Lorde Mikkah – Agora começa o canto. Ouça bem, filha, Meiryn tem uma bela voz.

Então Meiryn parou a dança abruptamente e o ar foi tomado pelo doce tom de sua voz, uma melodia divina, enquanto as outras bailarinas continuavam a dança, porém num ritmo mais lento. O canto era triste, mas a voz de Meiryn fazia-o parecer o mais belo cântico já cantado em Erys. Era um cântico tradicional de Kàrv. Falava sobre a dor de uma esposa que vira seu marido partir para a guerra e nunca mais voltar, embora nunca tivesse perdido a esperança.

– Chama-se “O Lamento de Yvyni” – explicou Mikkah.

– A rainha do rei Jucleus, que venceu a Guerra dos Sete Anos? – perguntou Ian. Não era muito familiar com a história, mas achava que se lembrava bem.

– Sim. Venceu, mas foi morto em batalha.

– Acha que é conveniente cantar essa música aqui neste Festival?

– São águas passadas. O que importa é a música.

Ian deu de ombros. Rythy nem prestou atenção no diálogo entre os dois. Estava hipnotizada pela encantadora voz de Meiryn e pela profundidade da letra.

– Agora vai começar a parte interessante – disse Mikkah após o fim da música. Rythila não achava ser possível haver dança ou canto mais belo do que vira. Até começar a segunda dança – Chamamos esta de “Dança das Lâminas de Vento”.

Não poderia haver nome melhor para ela.

Para começar, não era simplesmente uma dança. Era uma verdadeira encenação teatral ao som de tambores e flautas com harmoniosos e precisos passos de dança. A princesa parecia encenar o papel principal. Ela movia-se muito rapidamente, mais rápido do que Rythy julgava ser possível, movimentando seus braços, rodopiando, dando cambalhotas. O ponto alto começou quando as cinco bailarinas retiraram das largas mangas do vestido de dança dois objetos. A princípio Rythy pensou serem pedaços de madeira, de mais ou menos dois palmos de comprimento. Até que elas, com ágeis movimentos de mãos, abriram os objetos como uma calda de pássaro, revelando lindos e ricamente coloridos padrões de cores, um véu com um arco-íris.

– Oh – Rythy suspirou de admiração.

– São leques de dança, filha – explicava Lorde Mikkah – É incrível o que elas conseguem fazer com eles.

E ele estava certo. As bailarinas manejavam os leques com mestria e graciosidade sem iguais, fazendo os finos e coloridos véus que pendiam deles flutuarem no ar, enquanto elas mesmas parecia pairar no ar. Por um instante, Rythy lembrou-se da revoada de borboletas-luz que vira no primeiro dia na cidade.

– Agora começa o ‘duelo’ – Mikkah gostava de comentar o espetáculo.

O que se seguiu pareceu realmente um duelo, mas uma duelo gracioso e belo. A princesa e outra bailarina trocavam passos enquanto simulavam uma luta, usando os leques como adagas. A toque dos tambores estava mais frenético e o clímax chegou quando a princesa ‘venceu’ o duelo.

Essa foi a última da noite. A princesa aproximou-se deles. As outras bailarinas pareciam exaustas depois do espetáculo, mas Meiryn pareceu muito bem, sem demonstrar o mínimo de cansaço sequer.

– Você esteve perfeita! – disse-lhe Rythy, sem esconder a empolgação. – Gostaria de saber dançar tão bem quanto você.

Meiryn sorriu.

– Graças à minha tia. Foi ela quem nos ensinou a dançar assim. Ela é a melhor dançarina que eu já vi.

Rythila e Ian trocaram um olhar e então ambos olharam para Lady Dienny.

– Oh não – disse um pouco acanhada – Não senhores, a princesa não fala de mim. Ela está se referindo à minha cunhada, irmã de Mikkah, Princesa Myrian.

– Sim – reforçou Meiryn – Ela só é alguns anos mais velha que eu, mas dança formidavelmente. – Após uma pausa, completou – Se você quiser, pode vir nos visitar um dia em Kàrv. Tenho certeza que tia Myrian te ensinaria a dançar tão bem quanto eu.

Rythila achou a ideia formidável. Já estava imaginando como seria ir visitar as terras da princesa, caçar junto com ela, praticar falcoaria e muitas outras coisas, mas seus pensamentos foram cortados pelas palavras do pai.

– Honra-nos com este convite, princesa, mas temo que…

– Não temes nada, caçador! – cortou Mikkah, num tom amigável. – Vê, sua filha e minha sobrinha são amigas agora e você não tem o direito de recusar um pedido real. – Pôs a mão em seu ombro – Você e sua adorável filha são bem vindos em nossa casa a qualquer momento. E se um dia estiverem cansados de caçar nestas florestas, as nossas têm caças melhores! E sempre precisamos de bons caçadores.

Ian fez uma reverência cordial.

– Agradeço sua hospitalidade, Lorde Mikkah. Certamente, Rythy e eu faremos uma visita à sua Casa algum dia, mas receio que não poderemos estabelecer residência lá. Aqui é o nosso lar.

– Entendo. Como queira. – disse Mikkah com um aceno de cabeça. Depois completou – Bem, estamos perdendo tempo aqui. Um banquete nos espera. – disse, como se fosse o anfitrião da festa.

No quarto dia de festa continuaram as apresentações livres. Rythila estava adorando as apresentações de cantores, vindos de todas as partes. Seu pai havia sumido algumas horas antes, mas depois Edrik informou-a que ele e Lianny estavam ‘resolvendo algum assunto urgente’. Achou melhor assim. A princesa Meiryn convidou-a para sentar-se ao seu lado, uma posição de honra.

Gostou de todas as apresentações, mas a que mais lhe chamou atenção foi um quarteto de músicos bem singular. Havia uma violinista, um flautista, um harpista e uma cantora. O harpista e a cantora era ambos de pele morena-escura e cabelos castanhos e tão parecidos que poderiam ser irmãos gêmeos. O flautista tinha a pele morena-bronzeada, como a sua, e belos cabelos loiros-claros. Mas foi a violinista quem lhe chamou mais atenção. Era esbelta de pele morena-clara e cabelos negros cortados bem curtos, rentes ao pescoço. Eles cantaram alguns poemas e canções antigas. Terminaram com um poema cantado chamado “À Torre, Eterna”.

A princesa não estava se sentindo muito bem e se retirou um pouco mais cedo dos festejos com toda a sua comitiva.

– Mas você está bem, Meiryn? – perguntou Rythy preocupada.

– Sim, é só uma pequena indisposição. Coisas de mulher – disse em tom confidente. Rythy pareceu não entender – Vai entender quando estiver um pouco mais velha. – E saiu.

No fim dos festejos, conselheiro Aiden estava muito ocupado conversando assuntos importantes com outros conselheiros.

– Peça a Edrik para acompanha-la até minha casa, filha. Ele está logo ali.

Foi até onde Edrik se encontrava. Ele estava conversando a cantora, que parecia bem jovem, vista de perto.

– Deve ser incrível viajar pelos continentes apresentando seus talentos – dizia ele.

– Sim, é verdade – ela respondeu, mas claramente não estava muito a fim de conversa.

– Edrik, podemos ir? – interrompeu Rythy.

Ele pareceu consternado.

– Onde está tudo mundo?

– Já foram embora e conselheiro Aiden vai demorar um pouco mais. Ele pediu para que você me acompanhasse.

– Está bem – disse Edrik um tanto resignado. Virou-se para a cantora, com quem estava conversando. – Lamento, senhorita, mas preciso ir agora. Talvez possamos continuar nossa conversa amanhã.

– Lamento, mas teremos que partir amanhã. – disse ela fingindo um sorriso de desapontamento.

Foi então que a violinista se aproximou.

– Vamos, Ashara?

– Claro. Até mais – disse dirigindo-se a Edrik e Rythy.

Ela deu meia volta, mas a violinista ficou. Estava encarando Rythila. Aproximou-se. Dirigiu-lhe a palavra:

– Você… – hesitou – tem os cabelos prateados – disse por fim. Alisou-os suavemente, parecia emocionada – São lindos.

Rythy reparou melhor na violinista. De perto era ainda mais bela e seus olhos eram azuis, claros com névoa.

– Obrigada – disse Rythy, meio incerta.

– Qual o seu nome?

– Rythila.

A violinista hesitou.

– Você é do clã da Lua? – perguntou ela, meio bruscamente. Rythila concordou com a cabeça – O que faz aqui tão longe de Lys?

– Nasci e cresci aqui – disse dando de ombros – Meus pais eram do clã da Lua, mas minha mãe morreu e eu vivo com meu pai. Ele é um caçador de uma das vilas de Vyz.

A violinista pareceu hesitar um pouco novamente. Por fim perguntou:

– Lamento pela morte de sua mãe. Você e seu pai vivem bem? Quero dizer, não passam nenhuma necessidade?

Aquela conversa era bem estranha.

– Sim, eu acho… Mas… Por que pergunta isso?

– Ah, esquece. Às vezes eu falo demais – sorriu nervosamente.

– Alys? – chamou a cantora – Vamos, partiremos cedo amanhã.

– Estou indo, Ashara. – virou-se para Rythy – Foi um prazer te conhecer, Rythila. – tocou em seus cabelos novamente, emocionada. – Te cuida, garota.

– Está certo – respondeu. Desta vez ela que hesitou – Ah, gostei da apresentação de vocês. Você toca muito bem.

– Obrigada. Adeus.

E saiu, a passos largos.

– Que conversa mais estranha – ela comentou.

– Acho que sua beleza causa admiração nas pessoas – respondeu Edrik – Vamos, já está ficando tarde.

Foram para casa.

Na tarde do quinto dia, conselheiro Aiden convidou Ian, Lorde Mikkah e o conselheiro Kleyman para visitar sua adega particular. Ficava nos porões de sua grande mansão e era uma grande adega, com uma grande variedade de vinhos.

– Sou um grande apreciador de vinhos, senhores – disse, como se estivesse se desculpando. Como se fosse preciso pedir desculpas por ser rico.

– Sim, uma adega formidável, Conselheiro – elogiou Lorde Mikkah. – Também apreciamos um bom vinho em Kàrv, mas nossa adega é metade do tamanho da sua. Na maioria das vezes, compramos nossos vinhos de comerciantes.

– Sim, claro. Bem, senhores, não viemos aqui para discutir sobre vinhos. Talvez sim, mas o objetivo principal é bebê-los – disse Aiden. Dirigiu-se a um barril específico, retirou a rolha e um belo vinho tinto escorreu. – Uma safra boa esta daqui, julgo eu. Envelhecido duzentos anos, aproximadamente.

Beberam e todos concordaram que era realmente bom.

– Duzentos anos, você diz? – perguntou Kleyman.

– Sim. Dizem que os melhores vinhos são os mais velhos. Não posso julgar a veracidade desta afirmação, mas posso afirmar que este vinho é bom. – todos concordaram silenciosamente. – Não é o mais velho desta adega – disse subitamente. Apontou para um outro barril específico – Aquele é uma bela safra das Terras Ocidentais, envelhecido quatrocentos anos. E aquele outro tem pelo menos quinhentos anos.

Kleyman soltou um leve assobio de admiração. Mikkah acenou com a cabeça.

– Dizem que há vinhos ainda mais velhos – disse Mikkah – Meu irmão jura que a safra mais velha de nossa adega tem oitocentos anos. O Rei Levy do clã do Grifo me afirmou uma vez já bebera uma safra de mil anos. O melhor vinho que ele já provara, ele jurou.

– Mil anos? – Kleyman parecia bastante espantado. – Deuses, é muito tempo para esperar um vinho ficar bom.

– Muitos consideram o estudo dos vinhos uma arte, Conselheiro. – respondeu Mikkah – Eu, pessoalmente, prefiro a arte de beber vinhos, muito mais prazerosa – sorriu e todos concordaram com um aceno – Enfim – disse dando de ombros – Há loucos para todo. Se as histórias foram verdadeiras, então na Torre de Vigia de Aymon existe uma adega com vinhos envelhecidos sete mil anos.

– Sete mil anos! – agora era Aiden quem parecia realmente espantado.

Ian conhecia essa lenda, assim como muitas outras sobre a Torre de Aymon.

– Metade do que se diz sobre a Torre de Vigia são lendas criados por lunáticos e a outra metade é tão insana que ninguém realmente leva a sério. – disse, para ninguém em especial.

– Eu já a vi com meus próprios olhos – cortou Mikkah, gentilmente – Sua existência pelo menos é real, ao contrário do que muitos acreditam.

Ian concordou com um aceno.

– Sua existência é talvez a única lenda sobre ela que seja verdadeira. Para mim, ela não passa de uma construção gigantesca e abandonada.

– Sim, gigantesca – ecoou Mikkah. – Mas não podemos ter certeza. O que dizem é que a maioria dos homens que entram na Torre jamais volta e aqueles que voltam perdem totalmente sua sanidade.

– Bem, se gosta realmente de lendas sobre vinhos – continuou Ian – dizem que nas adegas da Torre de Vigia existem vinhos que eram envelhecidos cinco mil anos quando ela foi construída. Se fizerem as contas, concluirão que estes vinhos têm mais de doze mil anos.

Todos ficaram um bom tempo pensando, maravilhados com as palavras de Ian. Por fim, Lorde Mikkah falou, mais filosófico do que nunca:

– Dizem que os vinhos contam histórias dos tempos em que foram produzidos. Aquele vinho tem quatrocentos anos, hein? Bem, ele deve ser tão doce quanto deveriam ter sido os lábios da bela Rainha Yvyni, que acabou com a Guerra dos Sete Anos. Disse que aquele outro vinho tem quinhentos anos? Bem, ele deve ser tão amargo quanto o Massacre do Mar de Sangue. Os vinhos com sete mil anos da Torre de Aymon devem ter um sabor tão enigmático quanto os eventos daquele tempo. Mas os vinhos com doze mil anos? Bem, eu me pergunto qual o sabor que deve ter um vinho que presenciou a Alvorada dos Tempos.

O sabor da verdade pensou Ian. Uma verdade esquecida há muito tempo.

Na quinta noite houve o concurso para eleger a Rainha Ninfa. Edrik insistiu que a princesa Meiryn participasse, pois estava certo de que ela venceria. Um dos filhos do conselheiro disse que ela tinha grande beleza, mas perderia para Rythila. Aiden pôs fim a discussão dizendo que ambas tinham grande beleza; e ambas eram muito jovens para participar do concurso. Somente mulheres com mais de dezesseis anos eram permitidas. Ian insistiu que Lianny participasse. Ela não quis, a princípio, mas não pode resistir aos apelos de Aiden, Lorde Mikkah e Edrik fazendo coro à proposta de Ian.

No fim das contas, nove belas mulheres se candidataram ao concurso. A maioria, sete, eram filhas da ninfa, naturais Vyzar. Lianny era uma das estrangeiras; a outra era uma das bailarinas da comitiva de Lorde Mikkah, a mais jovem participante com exatamente dezesseis anos, embora parecesse que tivesse onze. Os descendentes da Espada são todos assim. Aparentam ser mais jovens do que realmente são. Está no sangue deles. No fim, após uma apertada disputa de votos, Lianny realmente acabou ganhando, apesar de ser a mais velha.

– Sua beleza singular deve ter conquistado os corações dos jurados – elogiou lhe Aiden.

Eram treze jurados, Lorde Mikkah um deles inclusive, um pedido especial do Conselho. Cada um deve escolher duas participantes. A que receber mais votos ganha, simples assim. Lianny recebeu dez votos e a segunda colocada, uma bela jovem de cabelos loiros e olhos azuis, nove. Ela recebeu uma bela coroa de flores e resolveu comemorar sua vitória na cama de Ian, o que ele considerou uma excelente ideia. Aquela foi a melhor noite de todas.

No sexto dia, os dragões chegaram.

Rythila e Meiryn convenceram seus protetores a ir caçar novamente nos bosques. Ian e Mikkah concordaram, desde que fossem acompanhadas de grande guarda. E Ian fez questão de ir junto, em parte porque também estava com vontade de voltar a caçar, depois desse tempo sem fazê-lo. No fim, foram as duas garotas, Desmynd, Edrik, Ian e mais três homens de armas de Lorde Mikkah. Este não quis ir, disse que precisava discutir questões políticas com o Conselho de Vyzar.

O Conselho estava reunido no salão de reuniões na Grande Torre. Discutiam assuntos banais de política externa, comércio com Kàrv, a aliança com o clã da Espada, e coisas tão chatas quanto essas. Em seu âmago, Mikkah não gostava de ser o intermediado político entre Kàrv e Vyzar, mas cumpria seu dever exemplarmente. Sentados à mesa encontravam-se os cinco do Conselho, além de Mikkah e mais dois conselheiros do rei Mytros. Foi então que o guarda bateu a porta do salão de reuniões e entrou sem esperar a permissão, parecia um pouco aturdido e claramente ansioso.

– Com licença, senhores. Peço perdão por minha intromissão – sua voz era nervosa – mas a situação é importante. – estava pálido.

– Deuses! O que aconteceu, homem? – perguntou Melka.

– Um mensageiro. Exige falar com o conselho imediatamente.

O mensageiro encontrava-se atrás do guarda. Ele também não esperou permissão e adentrou imediatamente à sala. Mikkah o reconheceu imediatamente. Era Ulys, um dos espiões de Kàrv. Era um dos homens de Myrian, não sabia exatamente qual sua missão, mas sabia que era algo relacionado com as tribos guerreiras do Deserto Rahji. Em seu íntimo, um mal pressentimento surgiu como uma ânsia de vômito.

– Desculpe, senhores, pela entrada pouco educada, mas o assunto é de extrema urgência.

A tensão subiu no ar.

– O que se passa? – exigiu saber Melka, levantando-se.

– Bárbaros, milady! – cuspiu ele – Bárbaros do deserto marcham neste momento contra Vyzar. Um exército gigantesco. Eles pretendem sitiar e atacar a cidade. Já destruíram todas as vilas que estavam em seu caminho, ao longo da Floresta de Vyz. Não sobrou absolutamente nada.

Melka levou suas mãos à boca, abafando seu grito.

– Não é possível! – disse conselheiro Tytos, mas sem convicção.

– Essa é a verdade, milorde. – continuou o mensageiro – Cavalguei o mais rápido que pude, mas creio que eles estarão na cidade no mais tardar em dois dias. Senhor – virou-se para Mikkah – Quais são as minhas ordens?

Não houve tempo de Mikkah sequer elaborar suas ideias. Outro guarda adentrou correndo, arfava como se o mundo fosse acabar naquela tarde. Talvez fosse mesmo.

– Senhores conselheiros! Estamos sendo atacados. Um exército encontra-se a poucos quilômetros de nossos portões.

Aquilo era bem pior que Mikkah suponha.

Uma única, singela, ideia passou pela sua mente como um vento soprado: Meiryn.

[Fim do primeiro arco]

[Próximo arco: A Fúria dos Dragões]

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Princesa Meiryn, em seu traje de dança.

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