A Ilha da Perdição (parte 1)

Olá, pessoal! Que a Luz esteja conosco.

Escrevi um novo conto, desta vez se passando no mundo de Erys, chamado a Ilha da Perdição. Como vocês sabem, o mundo de Erys é gigantesco e contém mais segredos e mistérios que nossa mente pode imaginar. A Ilha da Perdição é uma ilha localizada ao sudeste do continente Saeth, conhecida por ser amaldiçada. O capitão Jhunk, o Desbravador, um famoso pirata que viveu no início da Quarta Era descobriu que o uma antiga e mística relíquia está escondida naquela maldita ilha e reuniu seus piratas mais valentes e poderosos para irem numa expedição para recuperar o artefato.  A história se passa aproximadamente mil e duzentos anos antes da história da Filha da Lua

Publicarei este conto em seis partes, diariamente, até a próxima quinta-feira. Todo comentário, crítica ou sugestão é bem vindo. Espero que gostem.


Parte 1: O Capitão

O navio do capitão Jhunk, o Desbravador, estava finalmente se aproximando de seu destino. Jhunk, o Desbravador, era simplesmente um dos maiores e mais famosos piratas que já navegaram os cinco mares de Erys. Terrível, implacável, sagaz: assim era o capitão Jhunk. Acumulara várias glórias e tesouros durante os trinta anos em que dedicara à pirataria e agora estava a caminho da maior e mais perigosa aventura que em que já se envolvera.

Embora ninguém de sua tripulação soubesse exatamente o que é.

Ayjhasin se incomodava com isso. Ela era a oficial mais próxima do capitão, e mesmo ela sabia pouco sobre o assunto. Sabia que no centro da dita ilha haveria supostamente uma relíquia milenar, um tesouro datado da Primeira Era. Sabia que a missão era perigosa, afinal o lugar não se chamava Ilha da Perdição por acaso. Poucos se aventuravam por aquele lugar inóspito e, talvez, amaldiçoado. E jamais ouvira falar de algum pirata ou explorador que pisara na ilha e voltara vivo para contar a história. Mas nunca se pode ter certeza…

Aproximou-se da proa, onde ele se encontrava, observando o mar. Capitão Jhunk era um homem de meia idade, começou muito jovem na pirataria. Tinha cabelos negros como um abismo abissal e olhos verde-claros, que Ayjhasin gostava de pensar ter o mesmo tom do Grande Mar Verde. Estranhamente, não possuía barba. A pele de seu rosto era lisa como e de um bebê. Ele usava um tapa-olho cobrindo seu olho esquerdo. Quando o conheceu, no porto da cidade élfica de L’yuhen, ele já usava este tapa-olho. Também sempre usava uma luva em sua mão esquerda, para esconder a horrível queimadura que praticamente destruíra sua mão por completo. Por causa dessa queimadura, alguns outros piratas o chamam de Jhunk, o Mão-Queimada. Jamais na sua frente, é claro. Ayjhasin odiava quando se referiam a ele desse jeito. O capitão nunca disse o que aconteceu com seu olho e mão esquerdos e sempre se esquivava quando alguém mencionava o assunto. Respondia “é uma longa história” e mudava de assunto. Depois de um tempo, seus piratas pararam de perguntar sobre isso.

Por um bom tempo nenhum dos dois disse nada. Então o capitão falou:

– Estamos perto, Ayjin. – o apelido que o próprio capitão lhe pusera – Eu sinto. Amanhã, talvez, já avistaremos a Ilha da Perdição.

Ayjhasin olhou bem no fundo dos olhos verde-acinzentados de Jhunk. Como eram lindos aqueles olhos. Este continuou.

– Avise os outros. Quero-os descansados, especialmente os nyflyns. Amanhã será um dia longo. – um misto de saudosismo com ansiedade vibrava em sua voz.

– Sim, capitão! – respondeu. Fez uma pausa – Capitão, sei que não tenho o direito de perguntar, mas…

– … O que exatamente estamos procurando? – completou. Conhecia-a há tanto tempo que praticamente adivinhava seus pensamentos. Ela assentiu com a cabeça – Procuramos por uma relíquia milenar. Sei que já falei isso. O que não disse é que essa relíquia não é nenhum tesouro ou algo assim. É na verdade um dos mais poderosos e perigosos artefatos mágicos que existem. Se as informações que obtive estiverem corretas, o Cetro da Perdição está escondido nesta ilha.

– E o que é isso, capitão?

– Não disse que contaria tudo. – sorriu – Tudo ao seu tempo, Ayjin. Tudo ao seu tempo… – e ficou a observar o Grande Oceano Azul. – Diga aos outros que estejam preparados. Toda sorte de perigos habita essa ilha. Talvez tenhamos que usar o máximo de nossas habilidades.

– Vai finalmente nos mostrar a sua verdadeira habilidade ny, capitão?

Ele sorriu.

– Você está realmente ansiosa para isso, não é mesmo, Ayjin? O segredo que tenho guardado há trinta anos… Bem, talvez amanhã eu tenha que usá-la, embora espero que não. – fez uma pausa – Passamos por muitas coisas juntos, Ayjin. Juntos com nossa tripulação enfrentamos dragões, krakens, serpentes marinhas, guerreiros montados em fênix e poderosos piratas nyflyns. Sobrevivemos a tudo isso. Amanhã… Amanhã talvez sobrevivamos. Ou talvez morramos. – virou-se para Ayjin e tocou seu ombro – Mas lutaremos até o fim e, seja qual for o resultado, sabia que para mim foi uma honra conhecer e lutar ao lado de bravos guerreiros como vocês.

Ayjin teve de conter uma lágrima. Muitos pensam que o capitão Jhunk é um louco sem piedade, caçador de tesouros, matador de piratas. Mas na verdade é uma das pessoas mais humanas que já conheceu e muitas vezes fazias esse tipo de discurso emocionado.

– Foi um prazer lutar ao seu lado também, capitão. Agora com sua licença.

Girou os calcanhares e deu meia volta, voltando para o a parte inferior. Capitão Jhunk observou os belos cabelos loiros da elfa esvoaçando ao vento marítimo. Depois voltou a observar o Grande Mar Azul. O crepúsculo descia sobre as águas, ao bombordo.

Avistaram a Ilha da Perdição pouco depois do meio dia. Era uma ilha relativamente grande, de aspecto montanhoso e coberta por uma densa floresta. Ao redor dela, havia as Quatro Ilhas Flutuantes, mas de onde estavam era possível ver apenas uma delas. A primeira vez que alguém vislumbra as Ilhas Flutuantes, pode se sentir um pouco confuso e até mesmo achar que está louco. A tripulação já fora avisada, dias antes pelo Capitão, sobre sua existência, mesmo assim não puderam esconder sua admiração e surpresa quando seus olhos viram tal misteriosa cena.

Por que as ilhas flutuantes não são ilhas comuns. A melhor maneira de descrevê-las é dizer que são pequenas montanhas que simplesmente levitam a centenas de metros acima das águas, como que suspensas por uma misteriosa força divina – ou demoníaca. Largas escadarias de pedra cobertas de musgo e líquen sobem displicentemente saindo de algum ponto da densa floresta, conectando as Ilhas Flutuantes à Ilha da Perdição.

– Incrível… – dizia Ayjin, admirada.

– Como isso é possível? – perguntou Kylles, outro oficial, também bastante próximo do Capitão Jhunk.

Jhunk explicou pacientemente:

– As Ilhas Flutuantes foram içadas acima das águas há muito tempo, em uma época em que a magia ainda era poderosa. Hoje a magia está morrendo. Os dragões estão quase extintos, as fênix estão morrendo para não mais ressuscitar e as criaturas marinhas são cada vez menos avistadas. Os nyflyns de hoje não são metade do que eram antigamente, ou pelo menos é isso que dizem as antigas lendas. Tempos sombrios se aproximam, companheiros.

– Sim. – concordou Luthiel, outro oficial – Falta somente a Torre de Vigia cair – disse solenemente.

– Esperamos que isso demore a acontecer – Jhunk falou. – Preparem para desembarcar.

Aportaram no litoral. Uma pequena comitiva desembarcou. Fora o Capitão e seus três oficiais imediatos, apenas mais sete piratas comporiam a expedição pela densa floresta. Todos eram nyflyns. Os demais permaneceram. A missão era por demais perigosa para homens comuns. Analisavam um velho mapa, para saber por onde deveriam seguir, quando Kylles gritou:

– Pelos demônios marinhos, o que é aquilo?

Apontou para a gigantesca criatura que caminhava lentamente em direção à floresta. Era uma colossal tartaruga, com mais de vinte metros de altura, certamente. Seu casco parecia ser feito de pedra e nele cresciam árvores e arbustos, e pássaros voavam ao redor da criatura. Ela abriu sua gigantesca boca e soltou um sonoro grito, como o som de centenas de elefantes. Estava longe, a pelo menos um quilometro de distância dos piratas e caminhava na direção oposta.

– Parece uma montanha ambulante – comentou Ayjin.

– De fato – concordou o Capitão – É uma tartaruga-montanha. Acho que só existem nessa ilha. Não se preocupem, são inofensivas, apesar do tamanho. Basta não incomodá-la. Agora vamos, o caminho é longo.

Adentaram na floresta cujos perigos escondidos somente os deuses conheciam.

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Ayjin, da tribo da Água, uma elfa pirata e arqueira que faz parte da tripulação do capitão Jhunk. Este conto é narrado pelo seu ponto de vista. | Crédito da imagem: Elven High Archer by leo (pinterest)

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