A Ilha da Perdição (parte 3)

Aqui a continuação do conto “A Ilha da Perdição”. Espero que gostem.


Parte 3: Os esqueletos

O grupo continuou sua jornada na manhã seguinte. Segundo as estimativas do capitão, chegariam à montanha antes do cair do crepúsculo. Perto do meio-dia, avistaram outra tartaruga-montanha, se arrastando pela floresta, deixando um rastro de destruição.

– É normal elas adentrarem tão fundo na floresta? – perguntou Ayjin.

– Nada nessa ilha é normal, Ayjin – o capitão respondeu filosoficamente. – Não chamariam de Ilha da Perdição à toa. 

– Porque a chamam assim mesmo? – perguntou Kylles.

– A lenda diz que essa ilha é amaldiçoada. Houve uma época em que ninguém que pisava nela voltava com vida.

– Espero que esta época tenha passado. – comentou Luthiel.

– Eu também, Luthiel. Eu também…

Pouco depois do meio-dia, houve o segundo incidente.

Entraram numa parte particularmente densa e sombria da floresta. A luz do sol quase nãopenetrava através das copas das árvores, fazendo parecer noite. O clima parecia estranhamente frio.

– Sou apenas eu, ou alguém mais sente frio? – perguntou Ayjin, esfregando as mãos para gerar calor.

– De fato, a temperatura caiu de repente. – concordou Kylles.

Pararam, observando o cenário.

– Estou com um mal pressentimento – Luthiel falou.

– Fiquem juntos – instruiu Jhunk – Também pressinto algo.

Eles se prepararam para um combate. Sacaram suas lâminas. Ayjin preparou seu arco – era uma excelente arqueira. Estavam em alerta. Uma flutuação de ny cortou o ar.

– Sentiram isso? – sussurrou Luthiel – São nyflyns.

– Pensei que essa ilha não fosse mais habitada – Ayjin falou confusa.

– Eu também – disse o capitão.

Eles sentiam a presença de criaturas, escondidas na escuridão fria da floresta. Uma flecha voou na direção deles, mas Jhunk segurou-a com a mão, no momento certo. E então o inferno começou. Duas dúzias de esqueletos saíram das sombras, brandindo espadas e lanças, enquanto outros faziam chover flechas nos intrusos.

Kylles usou sua magia:

– Parede de cristal.

As flechas foram contidas. Ayjin utilizou sua habilidade:

– Flechas da Deusa Caçadora

Ela envolveu suas flechas com sua aura e disparou três de uma única vez. As flechas cortaram o ar com velocidade incrível, quebrando a barreira do som e deixando um rastro de destruição por onde passavam. Vários esqueletos caíram desmontados, seus ossos espalhando-se pelo chão. E as flechas de Ayjin acertaram os esqueletos arqueiros, destruindo-os.

– Boa, Ayjin – disse Luthiel.

Os outros travavam duelos de espadas com mais outro grupo de esqueletos que descia pelo outro lado.

– Jorff! Eles são muitos! – queixou-se um dos piratas, pouco antes de ter sua cabeça arrancada por um golpe certeiro da espada do morto-vivo.

– E vai ficar pior. Olhe! – apontou Luthiel.

Os esqueletos que haviam caído aos pedaços com o golpe de Ayjin simplesmente se remontaram e voltaram a “vida”.

– Impossível! – ela xingou.

Os outros nyflyns usavam suas habilidades, mas não surtiam muito efeito. Manipuladores de fogo lançavam chamas, mas os esqueletos não eram consumidos. Manipuladores de ar criavam correntes de ar, mas assim que caiam, os inimigos se levantavam logo em seguida. Outros dois piratas foram mortos, um por uma flecha e outro por um golpe de espada.

– Jorff! Não tem como derrotá-los! – gritou Kylles.

– São ventrículos controlados por ny – ponderou o capitão, no meio do caos – Precisamos destruir a fonte.

– Como? – gritou Ayjin.

Então pela primeira vez desde que o conhecera, Ayjin viu o capitão Jhunk usar suas habilidades ny secretas. Jamais vira algo parecido. Ele invocou a seguinte skiv:

– Cartas dos 108 Destinos.

E então 108 cartas de yvck se materializaram ao seu redor, como que por mágica. Cintilavam como estrelas e giravam ao redor do capitão como vaga-lumes girando ao redor de uma árvore. O que será que aquela skiv fazia? Esperava que fosse algo muito bom, caso contrário estariam perdidos e mortos e tudo aquilo teria sido em vão. Mas eis que o capitão conjurou o restante da habilidade. Ele tocou uma das cartas em particular. Nela, havia a imagem de um velho e sombrio navio, sobre um fundo enevoado, como que saindo de um nevoeiro marítimo. Era a carta ‘O Navio Fantasma’. Ele proferiu as palavras de encantamento:

– Navio Fantasma: Viagem Divina.

Ayjin achou aquilo bastante curioso.Existem 108 cartas de yvck. Seria possível que ele tinha uma habilidade diferente para cada uma das cartas do baralho místico? Seria algo realmente impressionante. Seria preciso mais que uma vida para conseguir aprender todas essas habilidades. Mas impressionante mesmo era o que a habilidade fazia. Ayjin sentiu-se sendo puxada por uma estranha e nauseante força. Sentiu o mundo girar ao redor de si mesma, a vista embaçou, as árvores perderam o foco. Parecia que a realidade não mais fazia sentido, como se estivesse se dobrando por cima de si mesma. Quando a sensação passou, viu-se em um local diferente de onde estava instantes atrás. Olhou ao redor e viu seus companheiros – pelo menos aqueles que ainda estavam vivos – todos tão confusos quanto ela, mas nenhum sinal dos esqueletos.

– O que aconteceu? – ela perguntou.

– Usei minha habilidade para nos transportar de onde estávamos para este local. – explicou o capitão.

– Mas… Isso é impossível!

– Jamais duvide de uma habilidade ny, Kylles. – o capitão respondeu.

O capitão parecia fraco. Certamente que aquela habilidade consumiu muito de seu espírito. Mesmo assim disse:

– Precisamos seguir adiante.

– Não! – interveio Ayjin – Está fraco, capitão. Precisa descansar.

– Não nos trouxe para muito longe. Era muita gente, só poderia cobrir uma distância curta. Devemos estar a no máximo dois quilômetros de onde estávamos. Precisamos ir, antes que aqueles esqueletos nos alcancem novamente.

E assim, seguiram adiante.

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Crédito da imagem: Skeleton by SizoW (Deaviantart)

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