A Ilha da Perdição (parte 4)

Olá, pessoa! Que a Luz esteja conosco.

Aqui está a quarta parte do conto “A Ilha da Perdição”. Espero que gostem.


Parte 4: O Guardião

Caminharam por uma hora sem nenhum outro incidente. Então o capitão Jhunk caiu.

– Capitão! – Ayjin socorreu. Pegou seu cantil – Aqui, beba. Está fraco, acho que devemos parar para descansar.

O capitão sorriu.

– Acho que nem que eu quisesse, você me deixaria seguir em frente, não é mesmo Ayjin?

– Claro que não. – ela respondeu.

E assim foi feito. Montaram um pequeno acampamento. Na verdade, estavam todos precisando daquele descanso.

Ayjin aproximou-se do capitão e retirou um pedaço de carne velha e salgada, cortada em tiras. Pegou uma e entregou outra a ele. Estavam um pouco mais afastados dos outros.

– Então, parece que você finalmente resolveu revelar sua verdadeira habilidade…

– É, parece que sim.

– Ela parece consumir muito da aura. É por isso que nunca a usa?

– Eu nunca a uso porque não sou homem de fugir de uma luta – respondeu com um sorriso.

– Claro que não. – fez uma pausa – Mas não é somente isso que você sabe fazer, não é mesmo? Quero dizer, a sua skiv na verdade é uma sequência de skivs. – repetiu o nome dela – “Cartas dos 108 Destinos”. Bem, é um nome bem sugestivo. Mas acho difícil acreditar você possa controlar 108 habilidades ny…

– Como já disse várias vezes, Ayjin, há mais mistérios neste mundo que a sua mente pode imaginar. – levantou-se e falou em voz alta, para o grupo – Muito bem, companheiros. Vamos continuar a viagem. Estamos quase lá.

Sim – pensou Ayjin – Mas o único mistério que queria entender era você, capitão.

Prosseguiram por mais cinco quilômetros até acontecer o terceiro e último incidente antes de entrarem na montanha. Até aquele momento, sofreram quatro perdas. Só os deuses sabiam o que viria agora. A medida que se aproximava da montanha, a floresta ficava cada vez menos densa. Uma grande, frondosa e imponente árvore erguia-se como uma torre, destacando-se no meio das outras. Tinha mais de cinquenta metros de altura, certamente.

– Impressionante! – admirou-se Ayjin. Jamais vira uma árvore tão grande e bela.

O capitão aproximou-se e tocou seu ombro:

– Como eu disse, há mais mistérios neste mundo…

– … Que a nossa mente pode imaginar.

Finalmente alcançaram o sopé da montanha, que erguia-se a uns trezentos metros de altura, mas teriam que passar primeiro pelo Guardião, que estava adormecido, mas acordou com sua chegada.

A terra começou a tremer.

– O que é isso? Um terremoto? – perguntou-se Kylles.

– Não. Vejam! O chão está se levantando! – apontou Ayjin.

Sim, era exatamente isso que estava acontecendo. Parte do chão elevava-se solenemente, revelando um gigante de pedra de mais de trinta metros, portando uma imponente espada de aço.

– Isso é o que eu chamo de problema grande. – comentou Luthiel.

O gigante de pedra urrou sonoramente, seu grito talvez tivesse cruzado toda a ilha. E desceu sua grande espada para atacar o grupo.

– Cuidado! – gritou o Capitão.

Todos pularam a tempo de não serem atingidos pelo golpe, que abriu um sulco no chão. O gigante atacou novamente, incrivelmente rápido para o seu tamanho, mas desviaram novamente. E assim uma terceira vez.

– Ele não parece tão bom assim – falou Luthiel.

Foi então que o gigante de pedra soltou outro horrendo urro. A terra tremeu novamente e do solo surgiram outros esqueletos guerreiros e arqueiros.

– Isso não pode ser sério! – disse Luthiel novamente, consternado.

– Ei, capitão, não pode usar aquela sua habilidade novamente? – perguntou Kylles.

– Não tenho ny suficiente para isso novamente. Teremos que resolver isso do jeito tradicional. – disse, sacando sua espada.

Uma terrível batalha sucedeu-se. Os piratas tentavam atacar os esqueletos guerreiros enquanto se esquivavam dos arqueiros e dos golpes do gigante de pedra. Perderam mais um homem nesse meio tempo, que não percebeu a aproximação do gigante, ocupado que estava duelando com três esqueletos, e foi esmagado por sua pesada espada.

– Temos que fazer alguma coisa! – gritou Ayjin, enquanto disparava mais flechas contra os arqueiros, o que era inútil, visto que eles se levantavam pouco tempo depois – Estou quase sem flechas!

Capitão Jhunk então percebeu um brilho cintilante na testa do gigante, quando virou contra o sol. Parecia ser um cristal. Compreendeu tudo. Outro de seus homens foi morto, enquanto usava sua magia de vento para manter os arqueiros afastados, foi atingido por um golpe desavisado da espada de outro esqueleto.

– Ayjin – gritou o capitão pela arqueira – Quantas flechas ainda tem?

– Só duas. – respondeu, do meio do caos.

– Aponte para o cristal na testa do gigante. É um cristal de nytta. É a fonte de energia dele e dos esqueletos. Eu vou distrair o gigante.

– Está bem!

Ayjin preparou-se para atirar. Encantou as duas flechas com sua aura, mirou, esquecendo completamente o caos ao redor. Apenas a mira importava. Jhunk correu para frente do gigante de pedra e gritou:

– Ei, grandalhão. Estou aqui! Vem me pegar.

O gigante de pedra parou e urrou em fúria. Desceu sua espada com toda força contra o capitão, que não moveu-se um centímetro sequer. Luthiel gritou:

– Capitão!! Corra!

Mas Ayjin sabia que Jhunk sabia o que estava fazendo. Tinha total confiança nele. Apenas continuou procurando e mira perfeita, o momento exato. Não percebeu que dois esqueletos se aproximavam dela, brandindo suas espadas. Desta vez foi Kylles quem gritou:

– Ayjin! – E saiu correndo em sua direção.

A espada do gigante descia perigosamente para esmagar o capitão Jhunk, que não mexia um milímetro sequer. Mas no último instante, uma carta de yvck materializou-se em sua mão e ele a usou para parar o golpe. O tempo parou. Pode-se ouvir o trincar do aço da espada, que partiu-se ao meu, no local onde a carta, dura como o metal mais sólido, a tocara. O gigante parou, talvez perplexo. E Ayjin aproveitou o momento. Disparou suas últimas flechas.

– Flechas da Deusa Caçadora.

Elas cortaram o ar. E a espada de um dos guerreiros esqueleto também voava em sua direção, pronta para cortá-la ao meio. Mas Kylles jogou-se na sua frente, empurrando a elfa para longe do perigo. O pirata recebeu um golpe fatal, que rasgou seu estômago. As flechas de Ayjin atingiram com precisão o cristal na testa do gigante de pedra, quebrando-o em mil pedaços cintilantes. O gigante urrou de dor e agonia. Sua fonte de vida fora destruída. Caiu de joelhos no chão, provocando um pequeno tremor. E começou a se desmanchar em areia e poeira, enquanto urrava lamuriosamente. O segundo guerreiro esqueleto preparava-se para investir um ataque contra Ayjin, que não teria como se defender. Mas no momento derradeiro, parou e começou também a desmanchar em pó. E assim acontecia com todos os outros esqueletos.

– Acabou? – ela perguntou, com voz quase chorosa.

– Só irá acabar quando encontrarmos o tesouro – disse o capitão, aproximando-se.

Kylles se debatia no chão, morrendo. Os outros piratas também estavam todos mortos. Só restaram o capitão, Luthiel e Ayjin. Jhunk abaixou-se ao lado do companheiro ferido. Este falou, com voz fúnebre.

– Capitão… eu… falhei convosco.

– Não. Não diga isso. Você lutou bravamente. – segurou a mão do amigo.

Kylles tossiu sangue.

– Capitão… foi uma honra lutar ao seu lado, todos esses anos.

– A honra foi minha.

Kylles apagou, para nunca mais acordar. O capitão Jhunk fechou seus olhos.

1317045719_www.nevsepic.com.ua_stone-giant

Crédito da imagem: Kelai Kotaki

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s