A Ilha da Perdição (parte 6)

Olá, pessoal! Que a Luz esteja conosco.

Essa é a sexta e última parte do conto “A Ilha da Perdição”. Espero que tenham gostado do conto. Até a próxima.


Parte 6: O Abismo

Naavy enterrou os corpos de Ayjin e Luthiel debaixo da grande árvore, ao lado de Kylles. Por trinta anos, eles foram as pessoas mais próximas à ele. Mais que isso, eles foram amigos, companheiros. Por mais que Naavy não gostasse de interação com outras pessoas, é difícil não criar laços com aqueles com os quais se compartilhou uma vida inteira, com os quais se compartilhou uma jornada, um ideal de vida. Lembraria deles pelo resto de sua longa e miserável vida.

Kylles, do clã da Harpia. Bravo, leal, altruísta – essa última difícil de se associar a um pirata, mas era isso que ele era. Morrera para salvar Ayjin – e porque não dizer a todos? Luthiel, do clã do Dragão. Alegre, cheio de vida, mas teimoso e egocêntrico. Mas Naavy o considerava mesmo assim, como um irmão considera outro, apesar de seus defeitos.

E por fim, Ayjin, elfa da Tribo da Água. Inteligente, companheira, habilidosa, prestativa. A primeira recruta do capitão Jhunk quando este começou a juntar sua tripulação. A mais leal de todas. A que faria qualquer coisa pelo capitão, se ele pedisse, simplesmente por que o amava. Luthiel estava naquela missão pelo seu desejo de obter um tesouro valioso. Kylles, por sua lealdade à Jhunk e aos amigos. Mas Ayjin estava ali simplesmente porque seu maior desejo era estar ao seu lado, o tempo inteiro.

Kylles morreu pelos amigos. Luthiel morreu pela ganância.

Mas Ayjin morreu porque amou.

Quando retornou ao navio, Naavy não encontrou ninguém vivo. Foram todos mortos, atacados pelos esqueletos amaldiçoados, a julgar pelo que sobrou deles. Isso fazia de Naavy o único sobrevivente de uma jornada suicida. Mais uma vez.

– É sempre a mesma velha história – disse, para ninguém em especial.

Navegou solitariamente pelo Grande Mar Azul. Trazia consigo o Cetro da Perdição, que não faria mal a ninguém por algum tempo, já que o ny amaldiçoado dentro dele estava selado. Mas não ficaria selado para sempre. Em questão de dias ele se libertaria e causaria mais morte e dor. Naavy fez então a única coisa que julgou sensato.

Navegou por várias semanas em direção ao sul, somente ele e suas dores. Quando finalmente achou que já estava no meio do nada, o ponto mais desolado e solitário do Grande Mar Azul, ele jogou o Cetro da Perdição nas águas.

Naavy observou-o afundar direto para o abismo mais sombrio, de onde jamais deveria ter saído.

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